TRT-15 e MPT-15 ratificam parceria de combate ao assédio eleitoral nas relações de trabalho

TRT-15 e MPT-15 ratificam parceria de combate ao assédio eleitoral nas relações de trabalho
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O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região e o Ministério Público do Trabalho da 15ª Região ratificaram, nesta terça-feira, 29/9, o Acordo de Cooperação Técnica nº 14/2024, que estabelece a atuação conjunta das instituições na prevenção e no enfrentamento ao assédio eleitoral nas relações de trabalho. A cerimônia, realizada no Salão Nobre do TRT-15, reuniu dezenas de magistrados e servidores, e marcou também o anúncio de outras ações do tribunal para as Eleições de 2026.

O documento foi assinado pela presidente do TRT-15, desembargadora Ana Paula Pellegrina Lockmann, e pelo vice-procurador-chefe do MPT-15, Ronaldo José de Lira. Firmado originalmente em setembro de 2024, o acordo estabelece a integração, coordenação e apoio entre as duas instituições sobre a temática, com vigência de cinco anos.     

"Dr. Ronaldo olha para câmera antes de assinar o termo"

Durante a cerimônia, a presidente Ana Paula Lockmann destacou que a proteção à liberdade de escolha deve alcançar também as relações de trabalho. “O voto é uma das expressões mais essenciais da cidadania. É individual, é livre e é secreto. E, justamente por isso, deve estar protegido”, afirmou. Segundo a magistrada, a atuação conjunta com o MPT-15 ganha especial relevância no período eleitoral diante de práticas que podem interferir na liberdade política de trabalhadores.  

"Dra. Ana Paula fala no púlpito, sendo observada pela plateia"

Números

Desde 2023, quando o assunto passou a ser computado de forma específica, foram registrados 738 processos que versam sobre assédio eleitoral na Justiça do Trabalho,  sendo 88 na jurisdição do TRT-15. “Prevenir é importante. É preciso informar, ampliar a conscientização e deixar muito claro que a relação de trabalho jamais pode servir de pressão sobre a consciência política de alguém”, ressaltou a desembargadora Ana Paula Lockmann.  

"Dr. Ronaldo fala no púlpito"

Pelo MPT-15, Ronaldo José de Lira ressaltou que o voto livre e secreto é uma conquista histórica que precisa ser preservada e lembrou que o enfrentamento ao assédio eleitoral envolve tanto medidas preventivas quanto a responsabilização por eventuais ilícitos. “Essa conquista constitucional nos dias de hoje tem que ser muito respeitada e valorizada”, afirmou.  Segundo ele, a atuação do MPT-15 nos últimos processos eleitorais resultou na celebração de 42 termos de ajustamento de conduta (TACs), além do ajuizamento de 11 ações civis públicas e da expedição de 136 recomendações. Ronaldo Lira destacou ainda a importância de trabalhadores e sindicatos denunciarem eventuais práticas de assédio eleitoral e informou que o MPT mantém plantões em suas procuradorias para o recebimento de denúncias.  

No Meu Voto Mando Eu

"Dra. Ana Paula está diante dos microfones das TVs Band, RFTV e TH+, concedendo entrevista"

A ratificação da parceria integra as ações do TRT-15 na campanha nacional “No Meu Voto Mando Eu”, promovida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) para conscientizar trabalhadores, empregadores e a sociedade sobre a importância do voto livre de pressões, ameaças ou constrangimentos no ambiente profissional. A mobilização faz parte da Aliança pelo Voto Livre e Secreto, formalizada em agosto pelo TSE, TST, CSJT, Ministério Público Eleitoral e Ministério Público do Trabalho.

Entre as situações que podem caracterizar assédio eleitoral estão ameaças de demissão ou de prejuízos profissionais em razão da escolha eleitoral; promessa de benefícios ou vantagens em troca de apoio político; exigência de participação em atos de campanha; fiscalização ou cobrança sobre o voto; e constrangimentos, humilhações ou intimidações relacionados às preferências políticas. A análise de cada situação depende das circunstâncias do caso. 

Denúncias

A Resolução CSJT nº 452/2026 estabelece que, quando uma ação trabalhista apresentar fatos que possam caracterizar assédio eleitoral, o juízo deve comunicar imediatamente o caso ao MPT e ao Ministério Público Eleitoral, independentemente de solicitação das partes.  Desde 1º de agosto, o TRT-15 mantém plantão específico para casos relacionados ao assédio eleitoral, que seguirá em funcionamento até o fim das eleições.

Quem se sentir vítima ou tiver conhecimento de uma situação de assédio eleitoral nas relações de trabalho pode procurar a Ouvidoria do TRT-15 ou o Ministério Público do Trabalho.  

Materiais informativos e peças da campanha estão disponíveis na página nacional “No Meu Voto Mando Eu”. Empresas, instituições, entidades e pessoas interessadas também podem aderir à Aliança pelo Voto Livre e compartilhar gratuitamente os materiais da mobilização. 

Seu Voto Importa

As ações do TRT-15 para as Eleições 2026 incluem ainda a participação no programa “Seu Voto Importa”, do Tribunal Superior Eleitoral, que busca ampliar a acessibilidade às urnas por meio da oferta de transporte especial e gratuito a eleitoras e eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida que não disponham de meios próprios para o deslocamento.

Durante a cerimônia, a desembargadora Ana Paula informou que o TRT-15 já foi acionado pela Justiça Eleitoral e disponibilizará servidores e veículos para apoio às ações coordenadas pela Justiça Eleitoral no próximo domingo. “Colocamos a nossa estrutura à disposição ao TRE para contribuir, quando demandados, com as ações destinadas a reduzir barreiras de acesso às urnas”, afirmou.    

A formação também integra as ações do Regional. No dia 8 de outubro, o Subcomitê de Combate ao Assédio e a Escola Judicial do TRT-15 promovem a palestra “Enfrentamento e combate ao assédio eleitoral”, que abordará medidas preventivas, fluxos procedimentais, os aprendizados decorrentes da atuação do plantão e os desafios relacionados ao uso de tecnologias e ao ambiente virtual. Inscreva-se aqui.

Unidade Responsável:
Comunicação Social